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Por um Mundo que defenda plenamente a dignidade de todo o ser humano  – Dia Internacional para a Abolição da Escravatura  

O trabalho forçado e o trabalho escravo, o tráfico de seres humanos, a prostituição, a exploração sexual, incluindo de crianças, os casamentos forçados e o trabalho infantil constituem as novas formas de escravidão.

Em todo o mundo, estima-se que existam mais de 40 milhões de pessoas sujeitas a alguma forma de escravatura, privadas da liberdade, tratadas como uma mercadoria em negócios sórdidos, para a obtenção ilegal e ilegítima de fabulosos lucros de gente sem escrúpulos, muitas vezes com a cobertura de alguns Estados.

A escravatura do séc. XXI é um dos negócios mais rentáveis do mundo! 

Um estudo recente da Organização Internacional do Trabalho estimou que a escravatura gera mais de 150 biliões de lucros todos os anos, o equivalente à soma dos lucros das quatro empresas mais rentáveis do mundo. 

Os países desenvolvidos e da Europa são os que mais lucram com a escravatura.

Por cada mil pessoas no mundo, existem 5,4 vítimas de escravidão.

As mulheres e as meninas são mais afectadas por este flagelo, somando quase 29 milhões, cerca de 71% do total, representando 99% das vítimas na chamada indústria comercial do sexo.

Uma em cada quatro vítimas de escravatura são crianças.

As crianças representam 37% das vítimas de casamentos forçados, 21,3% de exploração sexual e 19% do trabalho forçado. O trabalho infantil afecta 152 milhões de crianças, ou seja, uma em cada dez crianças de todo o mundo.

Passados 25 anos da Conferência de Pequim, apesar de haver mais crianças a terem direito à educação, há 32 milhões de meninas que continuam a não ter acesso à escola. Com a pandemia mais 500 mil crianças ficaram em risco de serem forçadas a casar.

pandemia está a servir de pretexto para aprofundar políticas de ataque a direitos básicos, o aumento das desigualdades, da pobreza, e da fome, das violências e da exploração no Mundo, ameaçando as populações mais frágeis, as mulheres e as crianças.

As estimativas apontam para quase 435 milhões de mulheres no nível da pobreza em 2021, com a pandemia a contribuir para um aumento de onze por cento 11%.

Avolumam-se as assimetrias e alarga-se o fosso das desigualdades: 1% dos mais ricos da população mundial possui 40% da riqueza mundial. Em 2019, 2153 multimilionários, com património acima de mil milhões de dólares, detêm mais riqueza que 4,6 mil milhões de pessoas (60% da população mundial).

Actualmente e em pleno século XXI, apesar dos enormes avanços científicos e tecnológicos e de progressos civilizacionais significativos, existem mais pessoas em situação de escravatura do que em qualquer outro momento da História da Humanidade.

As inquietações demagógicas sobre Direitos Humanos proferidas por representantes de grandes grupos económicos, de grandes potências capitalistas ou de forças políticas reaccionárias são apenas manobras de manipulação, pois são eles os mentores do aumento das desigualdades e da exploração, da extrema pobreza e são ainda promotores da guerra em várias regiões do Globo, onde se praticam com impunidade, verdadeiros crimes contra a humanidade. 

Há mais de 780 milhões de pessoas a viver abaixo do Limiar Internacional da Pobreza. Mais de 11% da população mundial vive na pobreza extrema, sem acesso à saúde, à educação, à água e ao saneamento.

Por cada 100 homens dos 25 aos 34 anos, há 122 mulheres a viver na pobreza, e mais de 160 milhões de crianças correm o risco de continuar na pobreza extrema até 2030.  

Líderes mundiais comprometeram-se, com a Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável,  a implementar políticas a nível nacional e regional, com base em estratégias de desenvolvimento favoráveis ao combate à pobreza em todas as suas formas e garantir que todos os homens e mulheres tenham direitos iguais e acesso aos serviços básicos, à propriedade, recursos naturais, novas tecnologias e serviços financeiros, para alterar de forma definitiva as condições que fomentam pobreza, injustiça e discriminação de género, até 2030. A realidade demonstra que mais uma vez, os seus interesses são outros e estão muito ligados aos interesses do grande capital que domina o Mundo.

Aqueles que rasgam os compromissos de convenções e declarações aprovadas em conferências internacionais, centradas na necessidade de erradicar a pobreza e todas as formas de escravatura, merecem o nosso repúdio e impulsionam-nos a intervir ainda com mais veemência e a juntarmos a nossa voz às mulheres e aos povos que lutam por um mundo de progresso e de paz.

O actual curso do Mundo não é inevitável 

É preciso dizer Não a políticas dominadas pelos grandes poderes económicos que permitem e favorecem a sua apropriação e concentração de grande parte da riqueza produzida no Mundo.

É preciso dizer Não aos desvios gigantescos de recursos mundiais para fomentar guerras que subjugam povos, prisioneiros nos seus próprios países ou obrigados a fugir, fazendo parte do maior fluxo de sempre de refugiados.

O MDM exige o cumprimento de compromissos aprovados em convenções e declarações internacionais pela redução dos gastos militares e na limitação de armamentos (que deverão ser usados para fins humanitários), pela protecção, assistência e capacitação das populações mais vulneráveis, garantindo direitos económicos e o acesso ao emprego.

O MDM acredita que é possível construir um Mundo melhor porque os povos, e as mulheres em particular, estão a lutar contra a desestabilização dos seus países, pelo combate às desigualdades, discriminações e violências, contra todas as formas de exploração, pela igualdade na lei e na vida em todos os domínios.

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