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Igualdade na vida, o combate do nosso tempo! | As famílias como espaços de igualdade – Debate em Lisboa

No passado dia 17 de setembro, em Lisboa (na sede do MDM), mulheres de diferentes concelhos do distritos de Lisboa estiveram à conversa,em torno do tema da família enquanto espaço de igualdade. Foi um debate participado com contributos e experiências interessantes, onde foi possível reflectir sobre as transformações e o papel da mulher na família.

A conversa decorreu em torno da Resolução do X Congresso (realizado em 2018), em concreto sobre o sub-capítulo dedicado às «Famílias como espaços de igualdade». Nesse tema, o MDM reflectiu sobre a transformação das famílias e como no seu seio se constroem os valores sociais, culturais, as relações sociais e afectivas, designadamente a relação entre a mulher o homem. Não existe uma universalização de um modelo ainda que, com a sua diversidade, existam semelhanças nos padrões familiares, porque emergem de contextos sociais e culturais diversos, como diversas são as relações que se estabelecem no seu seio. Aponta ainda, a interligação entre as condições socioeconómicas, em Portugal e no Mundo, enquanto motores de mudanças na organização familiar: a sociedade impulsiona o funcionamento da família que, por sua vez, replica concepções no que se refere ao sistema económico, à divisão social do trabalho, ao estabelecimento de relações sociais, culturais e afectivas no seu seio. Se a sociedade se organiza, subordinando uns em relação a outros, naturalmente que a família replicará, à sua escala, este modelo com consequências nos comportamentos entre homens e mulheres.

Falar das famílias implica também a falar da maternidade e da paternidade, bem como da alteração de mentalidades, nomeadamente na gestão familiar e doméstica, na partilha das tarefas e do papel da mulher e da mulher na família. A situação da mulher na família, no seu papel enquanto profissional e mãe é largamente influenciada e condicionada pelo modo como cada casal partilha a maternidade e a paternidade e o acompanhamento dos filhos, pelas condições socioeconómicas que permitam exercer livremente essa partilha, mas, igualmente, pela pressão exercida no plano profissional, para que ela cumpra o seu papel de mãe e de trabalhadora mas sem falhar com as exigências profissionais. Na prática, as trabalhadoras debatem-se com um paradoxo: ser mãe e trabalhadora. Nenhuma mulher deveria ter que optar entre uma vida profissional, uma família e tempo para si.

Se o papel das mulheres se esgota enquanto força de trabalho e na responsabilidade individual da renovação de gerações, e da força de trabalho, é evidente que a dominação e a divisão social na família se perpetuam. Esta realidade agrava-se no actual quadro em que o Estado se demite das suas funções e transfere para a esfera individual privada as responsabilidades das suas funções sociais, com o objectivo de manter um determinado modelo que perpetua situações de desigualdade na esfera familiar.

Tratou-se de um debate inserido no Ciclo «Igualdade na vida, o combate do nosso tempo», que o MDM irá promover nos próximos meses. São diversos os temas e os locais onde se realizam estes debates, em torno dos problemas mais específicos e sentidos pelas mulheres, porque a igualdade na vida é o combate do nosso tempo.

Desde este debate, estão já disponíveis exemplares impressos do livro do X Congresso do MDM. Contacta o teu núcleo ou a sede do MDM.

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