21 de Dezembro de 2017

Tribuna pública de solidariedade com a Palestina

Decorreu ontem, na Casa do Alentejo, em Lisboa, uma Tribuna Pública intitulada «DAR VOZ À SOLIDARIEDADE COM A PALESTINA». Esta iniciativa foi organizada pelo CPPC – Conselho Português para a Paz e Cooperação, CGTP-IN, MDM e MPPM – Movimentos pelos Direitos do Povo Palestino e pela Paz no Médio Oriente. Pelo MDM esteve presente Regina Marques, da Direcção Nacional.

Intervenção de Regina Marques

O MDM saúda os presentes, saúda as organizações que conjuntamente se deram mais uma vez as mãos (CPPC, CGTP, MPPM) para publicamente assumir a defesa da paz, a causa da paz no médio Oriente, a causa da Palestina livre, nesta terra onde há coisas que merecem viver: A hesitação de Abril, o cheiro do pão ao amanhecer, as opiniões duma mulher acerca dos homens, os escritos de Esquilo, o despertar do amor, a erva sobre as pedras, as mães erguidas sobre um fio de flauta e o medo que a lembrança inspira aos conquistadores. (Mahmud Darwich)

Palavras de poeta que nos impelem à luta e à reflexão. Estamos aqui hoje para afirmar e reafirmar que:

O Movimento Democrático de Mulheres (MDM) condena o reconhecimento de Jerusalém como capital de Israel pelos EUA (pelo seu Presidente Donald Trump) , gesto político indesculpável porquanto significa mais uma violação dos direitos do povo palestino à sua pátria livre e independente, onde milhões de pessoas querem voltar a viver.

A decisão, anunciada no passado dia 6 de Dezembro pelo Presidente dos Estados Unidos, de reconhecer Jerusalém como capital de Israel e de transferir a embaixada norte-americana de Telavive para a cidade considerada santa por cristãos, judeus e muçulmanos é uma decisão ilegal à luz do direito internacional. Violação gravíssima do direito internacional, consignado em numerosas resoluções da ONU, incluindo a recente resolução 2334 do Conselho de Segurança, de Dezembro de 2016, que explicitamente menciona Jerusalém Oriental como «território palestino ocupado».
– É um Gesto indesculpável, tradutor da hipocrisia do papel dos EUA, apresentando-se como “mediador imparcial” no conflito, quando desde sempre apoiou a ocupação, o expansionismo e a agressão Israelita contra o povo palestiniano, votando sempre na ONU ao lado de Israel contra todas as medidas que reconhecem a legitimidade da causa palestina e sustentam o reconhecimento da Palestina como estado.

Hipocrisia e má fé, aplicando sanções contra as instâncias das Nações Unidas sempre que estas valorizam o património politico e cultural da Palestina, ou sublinham Israel como estado ocupante, como aconteceu em sede da UNESCO quando, recentemente em 7 Julho de 2017, foi declarada a Cidade de Hebron como Património Mundial da humanidade, declaração aprovada com votos contra de Israel e EUA. Como nos recordamos, a Comissão de Património Mundial da UNESCO declarou a cidade velha de Hebron, na Cisjordânia, ocupada desde 1967, “zona protegida” enquanto “local de valor universal excepcional” e território palestino. Além disso, a área foi inscrita na relação de lugares em perigo, o que enfureceu Israel secundado pelos EUA. Recorde-se também que na Cidade Velha de Hebron vivem umas centenas de colonos israelitas, rodeados por uma forte protecção militar do exército do Estado hebraico, no meio de mais de 200 mil palestinianos, sujeitos à agressão do forte aparato militar, à humilhação permanente dos colonos e da odiosa presença de check points dentro da cidade.

Mas já antes em 2011, Obama cortara o financiamento à UNESCO depois da entrada da Palestina na organização. Agora, com Trump, os EUA decidiram cortar o financiamento e sair da UNESCO, tal como Israel, subscrevendo exactamente as mesmas posições que Israel.

Com a decisão maioritária da UNESCO sobre Hebron , a autoridade Palestiniana falou de “êxito” e de “vitória da batalha diplomática travada em todas as frentes, face às pressões israelitas e norte-americanas”, Israel, por outro lado, qualificou a decisão como “uma votação vergonhosa.”
Sempre assim foi e é. Por isso, importa lembrar que no conflito israelo-palestino, as duas partes não estão em pé de igualdade. Do lado da Palestina são inúmeras as propostas de negociação no seio da ONU, para reconhecimento de dois Estados, com prerrogativas estabelecidas em 1967 e que Israel sempre recusa.

Na Assembleia geral das Nações Unidas de Dezembro de 2016, o presidente da Autoridade da Palestina, reiterava a esperança de que 2017 seria o ano final das negociações para a independência, com a proposta de celebração da Conferencia Internacional de Paz antes de terminar o ano.

Com este inaceitável passo, os EUA dão uma vez mais, e de forma aberta, cobertura à política sionista de ilegal ocupação de territórios da Palestina, incluindo a ocupação total da cidade de Jerusalém por parte de Israel. Esta medida unilateral e ilegal dos Estados Unidos faz parte de um quadro de rápida deterioração da situação em todo o Médio Oriente, com um crescendo de ameaças que constituem nova ameaça, de nova escalada de guerras e conflitos naquela região.

Nesta tribuna pública, o MDM, solidário com a causa da independência e libertação da Palestina, apela ao Estado português que — a exemplo do que fizeram numerosas entidades e países estrangeiros — condene, de forma inequívoca, o reconhecimento de Jerusalém como capital de Israel pelos Estados Unidos e reclame junto destes e nas instâncias internacionais o respeito da legalidade internacional. Mais, apela ao Governo Português a que, em obediência aos princípios da nossa constituição e no seguimento de recomendações aprovadas na Assembleia da República, reconheça formalmente o Estado da Palestina com capital em Jerusalém Oriental.

No mundo global em que vivemos, não podemos calar nem fazer abstracção das guerras e das ameaças que pairam sobre a humanidade, vindas de países que – acenando com vestes de cordeiro – semeiam o ódio, a injustiça, as desigualdades, a opressão nos territórios de outrém, sempre e sempre na defesa dos seus interesses e negócios militaristas, da espoliação e exploração dos recursos naturais e humanos, condenando as populações, à submissão, tortura e à pobreza extrema.

Ao dar Voz à solidariedade com a Palestina, o MDM reafirma a sua solidariedade com as mulheres e o povo palestino e saúda a sua justa luta pelos seus inalienável direito à terra, com a edificação do Estado da Palestina livre, independente, soberano e viável nas fronteiras anteriores a 1967, com capital em Jerusalém Oriental, a par de reivindicar uma solução justa para a situação dos milhões de refugiados e refugiadas palestinos a quem foram confiscados os seus bens, obrigados a deixar a sua terra e a sua pátria desde os negros anos da Nakba em 1948.

Ao dar Voz à solidariedade com a Palestina, o MDM apela às mulheres portuguesas e do mundo que apoiem a justa luta do povo palestino no seu direito à terra e apela às forças vivas para denunciarem mais uma vez a violação do direito internacional perpetrada pelo governo dos EUA, com a certeza de que o governo de Israel pratica uma politica de apartheid e genocídio que humilha os direitos universais e a dignidade humana do povo palestino, pondo em perigo a paz naquela região do planeta e no mundo, com a certeza de que essa politica tem que ser clamorosamente rejeitada.
O Clamor internacional cresce em todas as partes do mundo. O MDM nas suas ligações internacionais tem recebido e cruzado informação com muitas organizações de mulheres – do Japão à África do Sul, da Venezuela e toda a América Latina – à Grécia, Itália e Espanha – veementes apelos dirigidos aos respectivos governos e à humanidade, pungentes manifestações de solidariedade para com a Palestina.

No dia 10 de Dezembro, dia internacional dos Direitos Humanos, o Centro Regional árabe da Federação Democrática Internacional de mulheres (FDIM) com sede no Líbano, onde existem os maiores campos de refugiados palestinos, denunciando a injustiça da decisão de presidente Donald Trump, apelou à mobilização politica, jurídica, mediática, diplomática, combativa e militante das mulheres e homens livres da região árabe e do mundo para pôr termo à flagrante injustiça e imprudência que se está a cometer contra a história, o legado dos povos e seus valores nacionais, – que se abatem sobre as mulheres e o povo palestino.. Solidárias com a Palestina, perguntam-se as árabes da FDIM, no Dia Internacional dos Direitos Humanos, onde estão os direitos do povo palestino disperso no mundo, a sua terra usurpada e a sua capital ameaçada?

Pergunta retórica mas contundente. Por isso a repetimos à exaustão. Onde estão os direitos humanos daquele povo que vive sem pátria há 70 anos ? Onde estão os Direitos Humanos dos palestinos, a quem querem retirar o seu património histórico e dilacerar a identidade?

Nós, mulheres do MDM , abraçamos as nobres causas e valores da justiça social contra a violência e a opressão, contra o muro do apartheid, pelo cumprimento das resoluções da ONU que consagram Jerusalém oriental como capital do futuro Estado da Palestina, vamos continuar a reclamar apoio para as mulheres e o povo palestino na sua rebeldia justa contra a grave e perigosa decisão de Trump, que a todas e a todos compromete.

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