13 de Abril de 2017

MDM solidário com mulheres da Síria

Às Mulheres Portuguesas, Às Mulheres do Mundo

Solidariedade com as Mulheres da Síria  

Na madrugada de 7 de Abril, a administração norte americana lançou 59 mísseis de cruzeiro contra a base aérea de Shayrat, afirmando, sem apresentar quaisquer provas, que o presumível ataque químico à cidade de Khan Shaykhun, a 4 de Abril, se realizou pelo Exército Sírio a partir dessa base.

O Governo Sírio recusou decididamente estas acusações e responsabilizou a oposição extremista e seus patrocinadores pelo ataque. Também o Ministério de Defesa de Rússia, que tem tido uma vasta intervenção no combate ao terrorismo local e na libertação do povo das terras por ele dominadas, informou que a aviação síria atacou os depósitos de munições dos Jihadistas perto Khan Shaykhun que continham armas químicas para fornecer a outros terroristas no Iraque.

A 7 de Abril, durante a reunião urgente do Conselho de Segurança da ONU sobre o ataque dos EUA contra a base aérea Síria, a Embaixadora estado-unidense, Nikki Haley, foi de uma clareza notável quanto aos verdadeiros objectivos a curto e a médio prazo. Perante a ONU, advertiu que Washington está disposta a tomar mais medidas contra a Síria, corroborando Donald Trump, que também assinalou que os EUA adoptarão, caso seja necessário, medidas adicionais para defender os seus interesses nacionais, a sua política externa e de segurança. Nikki Haley, em entrevista à CNN foi mais longe. Vaticinou que a “mudança do regime” na Síria ocorrerá tarde ou cedo, pois todos verão que Assad não é o líder que Síria necessita, e que uma solução política para a Síria será impossível enquanto o presidente Bashar Assad permanecer no poder.

Cumpre-nos neste quadro lembrar, se tal fosse necessário, que a comunidade internacional não pode deixar repetir na Síria o que aconteceu no Iraque (em 2003) ou na Líbia (2011). Estes dois estados foram destruídos a pretexto da existência de armas de extermínio massivo, o que nunca foi provado, e de uma dita “primavera árabe” de contestação a “ditadores”, que hipocritamente foi apoiada pelos EUA para dividir, reinar e exercer a sua hegemonia sobre a região e melhor se apoderar dos seus recursos naturais. As duras consequências dessas guerras e dessa ingerência sofrem-nas os povos, particularmente as mulheres e as crianças, que viram destruídos as suas casas, as escolas e hospitais; que perderam e continuam a perder os pais e caem também elas mortas indefesas. Muitos milhares de pessoas fugiram das guerras, abandonaram as suas casas, para perder a vida nos mares, nas montanhas, nos campos de refugiados. As mulheres e o povo sírio estão a sofrer os horrores do terrorismo e do divisionismo que as forças estrangeiras ali criaram.

A situação é manifestamente perigosa. Não param de aumentar as ameaças de ingerência dos EUA, com os mais variados contornos e pretextos. Donald Trump refere-se com ironia e cinismo ao Irão, Rússia, Coreia do Norte e China, dando com prepotência lições de democracia, num grosseiro desrespeito pelos direitos dos países a terem uma política interna e externa soberana no cumprimento das normas e do direito internacional. A aliança com Israel (único pais árabe possuidor de armas nucleares) para aumentar os ataques à Palestina, a conivência dos EUA com países europeus no ataque ao Iémen e outros no norte de África ou a investida brutal contra a República da Venezuela na América Latina, revelam uma manobra belicista organizada e coordenada pelos grandes centros militares do imperialismo.

A tensão política instalada e a visível escalada armamentista, aliada ao potencial nuclear destas potências, não nos pode deixar indiferentes.

Há que evitar a todo o custo uma 3ª guerra mundial que provocaria a destruição da Humanidade!

Associando-nos ao pulsar dos movimentos de mulheres e dos povos que nos EUA, na Europa, no Médio Oriente, na América Latina, estão nas ruas em protesto contra a guerra na Síria, exigindo que Trump tire as mãos da Síria e clamando pela Paz, nós mulheres portuguesas, organizadas no Movimento Democrático de Mulheres, condenamos esta escalada dos EUA na Síria e:

1 – Exigimos, face a esta agressão, que se proceda a uma minuciosa investigação sobre o suposto ataque químico realizado a 4 de Abril, que serviu de pretexto a este ataque dos EUA. O uso de armas químicas é ilegal e está condenado por convenções internacionais, pelo que a investigação deve ser rigorosa e rápida, não podendo qualquer país, nem os EUA, fazer acusações unilaterais sobre esta matéria, que geram alarmismos de imprevisíveis consequências;

2 – Apelamos às mulheres portuguesas que se manifestem pela Paz e pelo direito dos povos à sua soberania, condenando a agressão que está sendo feita à Síria há pelo menos seis anos e exigindo que se ponha fim ao apoio militar e financeiro a forças divisionistas e terroristas que semeiam o medo e o terror ao serviço das forças mais agressivas do imperialismo;

3 – Apelamos ao coração das mulheres para intensificarem a sua solidariedade para com as mulheres do Médio Oriente, da Síria à Palestina, para que a nossa voz chegue à Casa Branca, chegue à ONU, à União Europeia, ao governo português e a todos os que têm nas suas mãos o poder de decisão e negociação para estancar estes conflitos. Pondo um travão à corrida aos armamentos e às guerras de ingerência e opressão dos povos teremos mais força para viver em igualdade e em Paz.

 

O Secretariado Executivo do MDM

 

Comunicado de solidariedade com as mulheres sírias (versão em Português – PDF)

Solidarity with the Syrian Women (versão em Inglês – PDF)

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