MANIFESTAÇÃO NACIONAL DE MULHERES: As mulheres fizeram ouvir a sua voz!

“Contra ventos e marés” as mulheres fizeram ouvir a sua voz em Portugal participando de forma determinada e com alegria na Manifestação Nacional de Mulheres realizada a 10 de Março em Lisboa.

Foi uma grande Manifestação de Mulheres! Uma celebração ímpar do 8 de Março,  exigindo Igualdade em todas as esferas da vida, enquanto mães, trabalhadoras, cidadãs e mulheres. Juntas exigimos igualdade por oposição às desigualdades entre homens e mulheres e sociais, às discriminações em função do sexo, às concepções retrogradas sobre o papel da mulher, às múltiplas formas de violências contra as mulheres no trabalho, na família e na sociedade.  Juntas exigimos igualdade que se reflicta de facto na vida das mulheres e que é inseparável da Justiça Social, da melhoria das condições de vida, do direito a ter e exercer direitos.

O MDM dirige a todas e todos os que se associaram a esta festa da igualdade uma enorme saudação.

Como seria de esperar, a grandeza desta Manifestação, e o profundo alcance social das reivindicações das mulheres que lhe deram corpo, teria de ser vilipendiada pelas vozes do costume. Para isso fizeram uso da provocação, da deturpação e da mentira, revelando o profundo e velho preconceito que tem em relação ao Movimento Democrático de Mulheres.  Mas sobretudo revelando o incomodo quanto à dimensão emancipadora que ela assumiu e o inqualificável desprezo pelas mulheres – e os seus problemas – que nela participaram. Sim, recusamo-nos a ocultar e a desvalorizar as causas económicas, sociais e políticas que estão na origem da desigualdades e das discriminações das mulheres no nosso país. E dessa luta não abdicamos, nem abdicaremos.

A luta das mulheres vai continuar.  E contará sempre com o MDM, com o seu percurso de 50 anos de história, alguns dos quais vividos sob o fascismo, e que não se atemorizará com campanhas baseadas na manipulação, na mentira e no preconceito.

O MDM convida-vos desde já a vir celebrar o Dia Internacional da Mulher em 2019, na Manifestação Nacional de Mulheres que, de novo, o MDM realizará a 9 de Março, em Lisboa.

GALERIA DA IGUALDADE

INTERVENÇÕES

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Joana Sofio, Direcção Nacional do MDM

Olá Amigos e Amigas
Hello friends
É muito bom estar aqui convosco.

Quando perguntámos às mulheres por onde vamos passando quais são os seus sonhos, os seus desejos, a grande maioria responde ter Saúde, ter trabalho, que haja paz, e que possam estar e conviver mais vezes com a Família e os amigos.

Será que o facto de serem mulheres, e mulheres jovens lhes provoca ainda alguma dificuldade na concretização dos seus sonhos?
Quando chegamos a uma fase em que procuramos a independência da Família, Quando tentamos abrir as portas aos nossos sonhos e projetos a primeira dificuldade é a da falta de emprego e a possibilidade de projetar a curto ou longo prazo o nosso futuro.

Nós, jovens mulheres queremos viver sem nos diagnosticarem stress pela falta de perspectiva de vida, pela precariedade laboral. Reparem, as mulheres são a maioria dos trabalhadores a tempo parcial, as que recebem salários mais baixos. Somos a maioria das consumidoras de antidepressivos deste país.

Queremos ser mães sem ter um medo horrível do futuro. As creches e escolas têm de ser de qualidade, com profissionais qualificados, sem termos que entregar crianças a pessoas que são colocadas indiferentemente das suas aptidões, pelos centros de emprego.

Queremos aulas de preparação para o parto, queremos ser bem tratadas e estar fora de perigo no parto e no pós-parto. Precisamos de consultas gratuitas de ginecologia e Psicologia, Acompanhamento e tratamentos atempados da infertilidade, da incontinência urinária e já
agora, da menopausa.

Queremos Segurança nas escolas. Não gostamos de armas. Gostamos de educação de qualidade.
Aliás, as mulheres hoje estudam muito, estão cada vez mais qualificadas, com múltiplos cursos profissionais, somos a maioria nos cursos superiores, temos licenciaturas, mestrados, doutoramentos e pós-doutoramentos. Apesar das grandes dificuldades para pagar as
propinas!

Se isto aqui é muito bonito, que melhor seria se a Marlene, a Natália, a Ângela não tivessem sido obrigadas a emigrar porque aqui não tiveram a oportunidade de mostrar o seu valor, a sua criatividade, a sua originalidade, a sua competência. Estaríamos bem melhores convosco aqui.

Mas também nós todas, com o MDM seremos a voz das mulheres que chegam de África, do Brasil, de Timor, da China, do Mundo. Se para nós não é fácil, para elas tudo é mais difícil, pelas diferenças culturais, pela língua, pela distância da família. Que força nos demonstram,
apesar das dificuldades. Obrigada também por construírem connosco as pontes que irão fortalecer as bases da igualdade.

Nós as jovens mulheres deste país Exigimos a oportunidade de contribuir para tornar este país melhor. Nós é que dizemos: Deixem-nos trabalhar! Mas com salários justos e naquilo em que temos as melhores qualificações. E também dizemos: Deixem-nos descansar! Trabalhamos semanalmente mais 13 horas em casa do que os homens. Gerimos contas familiares com ginásticas incríveis.
Porque a saúde também é aquilo que consumimos queremos ter disponível no mercado produtos locais, a preços acessíveis e com qualidade. Queremos que o estado nos garanta a qualidade do que consumimos.
Queremos que a nossa terra seja fértil e saudável, livre de explorações destrutivas com vista ao lucro e não ao bem-estar das pessoas. Queremos que a Água seja pública! Aqui e em todo o mundo.
Se alguma vez na história deste país se sentiu a falta de afectos tal nunca se deveu às mulheres, o que nós sentimos, durante séculos foi um silêncio do tamanho do mundo quando éramos maltratadas.
Não queremos ouvir mais uma amiga, uma vizinha, uma colega de trabalho a contar baixinho que sofre de violência doméstica. Somos traficadas, abusadas, exploradas, prostituídas. Jardins dos prazeres para uns, o pior dos infernos para as mulheres.
Estamos no século XXI. Isto tem que terminar.
Quando as mulheres da minha geração referem nos seus sonhos que querem a Paz
Enviamos a nossa solidariedade para as mulheres que estão na Síria, nos campos de refugiados do mundo, do Sahara Ocidental, da Palestina, Àquelas que vivem o mais terrível dos horrores, aceitem as nossas mãos, a nossa palavra a nossa indignação. Seremos a voz que denuncia as injustiças que sofrem. A Paz é possível e urgente.

Quando nos sonhos as mulheres referem Família e amigos
Lembramos o Direito a ter Férias, a planear a nossa família, a ter tempo para nós mesmas.
Queremos fartar-nos de ouvir falar das desportistas portuguesas, muitas de nível mundial, porque não ouvimos falar delas? Queremos celebrar as suas múltiplas conquistas, e estar com elas para vencerem as dificuldades que enfrentam para conseguir apoios nas suas
modalidades.
Queremos ver, produzir e usufruir de mais arte. Mais cultura.
É para nós hoje, mais fácil dizer que juntas e juntos vamos conseguir alcançar a igualdade.
Tivemos os melhores exemplos de mulheres que não se calaram, nas situações mais difíceis.
Obrigada Maria Lamas, Obrigada Sofia Ferreira, Obrigada Catarina de Baleizão, Obrigada às mulheres da Triumph. Obrigada àquelas amigas do Alentejo, que hoje, pela primeira vez, não arriscaram vir por temerem já não chegarem ao autocarro, à Zefa, à Olinda, à Libarata e muitas outras. Podem descansar e ter a certeza que o vosso exemplo não se irá perder. Com certeza que juntas chegaremos ao dia em que viver será melhor que sonhar.
Convosco e por todas Nós continuaremos a lutar pela conquista da Igualdade.
Vivam as mulheres portuguesas, Vivam as mulheres do Mundo
Viva o MDM!

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Sandra Benfica, Secretariado do MDM

Queridos e queridas amigas,

Voltamos a encontrar-nos nesta celebração ímpar do Dia Internacional da Mulher, realizando uma Manifestação Nacional de Mulheres pela exigência de Igualdade e Justiça Social no presente com futuro!

Atrevemo-nos a decidir e a construir de novo esta expressiva e justa manifestação nacional de mulheres que nem mesmo o mau tempo abalou na sua significativa participação e na justeza das reivindicações que ecoaram nas ruas da cidade de Lisboa neste sábado vestido de cinza.

Esta Manifestação é expressiva!

Aqui estão mulheres de todo o país – do Porto, Aveiro, Braga, Viana do Castelo e Trás-os-Montes |da Guarda, Viseu, Castelo Branco, Leiria, Santarém e Lisboa | de Portalegre, Évora, Beja, Faro e Setúbal.

Aqui estão as operárias, as trabalhadoras dos sectores de serviços e comércio, as professoras, as médicas e as enfermeiras, as mulheres da cultura e da ciência, as estudantes e as agricultoras. Estão as trabalhadoras da administração pública. As activistas sindicais e de outras organizações representativas dos trabalhadores.

Estão as que fizeram e fazem frente ao patrão, as que fazem a greve e defendem o posto de trabalho e os seus direitos laborais.

Estão todas as gerações de mulheres, as jovens e reformadas.

Estão as sobreviventes de muitas formas de violência.

Estão também as mulheres que escolheram o nosso país para viver, as angolanas, as cabo-verdianas, as chinesas, as brasileiras e de tantas outras nacionalidades.

Estão mulheres que participam em muitas e diversas Organizações, e muitas outras que não sendo do MDM, reconhecem a sua importância e sentem-se bem-vindas neste espaço que é seu e aceitaram convictamente o convite para fazermos juntas esta luta pela igualdade.

 Aqui, estão as mulheres do nosso país! 

Estão as que lutam e resistem, fazem frente às desigualdades e discriminações que impedem a concretização de tantos projectos e sonhos.

As que todos os dias arregaçam as mangas e enfrentam as adversidades da vida com uma imensa coragem!

Aqui, estão as mulheres que constroem o presente e o futuro, colocando o seu saber e o seu labor ao serviço do desenvolvimento do país.

E com elas também estão homens, nesta luta que acolhe todos os que defendem a emancipação das mulheres e uma sociedade assente na igualdade entre homens e mulheres, justiça social, desenvolvimento e paz.

Saudamos calorosamente a vossa presença e o vosso extraordinário empenho nesta e em muitas outras causas que nos unem.

Consideramos que esta Manifestação é justa, porque é justa a exigência de Igualdade, não apenas na lei, mas igualdade em todas as esferas da nossa vida, enquanto mães, trabalhadoras, cidadãs e mulheres.

 Igualdade na vida, afirmamos! E afirmaremos!

Igualdade por oposição às muitas desigualdades entre homens e mulheres e sociais, às muitas discriminações em função do sexo, às concepções retrogradas sobre o papel da mulher; Igualdade por oposição às múltiplas formas de violências contra as mulheres no trabalho, na família e na sociedade.

Igualdade que se reflicta de facto na vida das mulheres e não se limite a páginas dos discursos e tão pouco ao texto da lei.

O MDM valoriza no tempo presente a reposição de direitos e as melhorias nas condições de vida de muitas mulheres. Melhorias só possíveis com a alteração de forças na Assembleia da Republica, o afastamento do governo PSD-CDS, e com a participação, a denúncia de milhares de mulheres na luta que foi travada

Contudo, reclamamos uma verdadeira política de igualdade que seja necessariamente inseparável da Justiça Social, inseparável da melhoria das condições de vida, inseparável do direito a ter e exercer direitos.

Como temos persistentemente afirmado: Os problemas que atingem a maioria das mulheres continuam por resolver.

O desemprego, a precariedade, os baixíssimos salários, a discriminação salarial, a desregulação dos horários de trabalho, as reformas e pensões de miséria, flagelam terrivelmente a vida das mulheres.

Decidir ser mãe, ou ser mãe hoje é sinonimo de múltiplas discriminações desde logo no acesso ao trabalho. Mas, igualmente, na negação do direito ao acompanhamento dos filhos. O desrespeito pela função social da maternidade é indigno e aviltante! É uma afronta ao direito de sermos mães quando assim o desejamos.

A violência doméstica é uma vergonha nacional para quem comete o crime e para quem tem a responsabilidade de proteger e apoiar as vítimas e não o faz como é exigido.

As perseguições e repressão nas empresas, o assédio moral e sexual continuam a ser ocultados como uma grave forma de violência, num pais onde existem muitas queixas e poucas decisões favoráveis às mulheres. É uma luta que continua e que será vencida pela luta contra a precariedade, a insegurança laboral e o medo que alimenta esta grave violação dos direitos e da dignidade das mulheres.

A prostituição que não para de aumentar, e que anda de braço dado com tráfico de pessoas continua a não ser considerada uma forma de violência contra as mulheres e as crianças. Persiste a campanha pela descriminalização do proxenetismo em nome dos direitos das pessoas prostituídas. Alinham nesta campanha sectores com responsabilidades políticas, que não tem pejo em defender a metamorfose de uma vil expressão de violência num trabalho digno para as mulheres.

Por estas e muitas outras razões, é tempo de exigir uma verdadeira política de igualdade! E para isso os objectivos desta manifestação são razões de luta a dar continuidade.

Por estas e muitas outras razões, celebramos o Dia Internacional da Mulher não esquecendo a sua raiz histórica e a memória do tempo em que as trabalhadoras super exploradas clamavam por igualdade salarial e valorização do seu trabalho, redução do horário de trabalho, direitos políticos e sociais.

Mais de 100 anos depois, eis-nos, hoje, de novo, com outras roupagens e subtilezas na exploração das mulheres, perante a inquietante actualidade destas lutas de outrora, que são lutas de hoje e de sempre.

Aqui hoje afirmamos a actualidade e justeza das reivindicações das mulheres, para que a igualdade e justiça social seja uma realidade para todas e todos

Desta Manifestação levamos uma renovada confiança e força na exigência de respeito pelos nossos direitos.

Voltamos a dizer “os direitos das mulheres não podem esperar: são para ser cumpridos e têm de avançar!

E está nas nossas mãos, na nossa unidade e organização, a defesa dos direitos das mulheres nas vertentes política, social, económica e cultural. Que está nas nossas mãos a defesa dos direitos humanos e a dignidade das mulheres.

Este ano trazemos nas mãos bandeiras que assinalam 50 anos de vida deste Movimento de Mulheres que se move com a força da vida. Dizem “Em movimento mulheres fazendo história” porque a história dos direitos das mulheres no nosso país são inseparáveis da intervenção e luta deste movimento.

Sim, hoje também celebramos os 50 anos do Movimento Democrático de Mulheres

50 Anos na defesa dos direitos e valorização da mulher; na defesa dos direitos sexuais e reprodutivos; de luta contra concepções retrógradas e conservadoras sobre o papel das mulheres; 50 anos de luta pela igualdade na lei e na vida.

Um movimento relevante no seu passado, relevante no presente e que seguramente manter-se-á relevante no futuro, porque as mulheres conhecem e reconhecem o papel insubstituível do MDM na defesa dos seus direitos.

Queremos saudar todas as mulheres que partilham este percurso de luta, que de norte a sul do país construíram e constroem este movimento, sempre ligado à vida, sempre ligado aos problemas reais das mulheres, sempre e sempre empenhado numa profunda solidariedade com as mulheres que no mundo lutam e resistem, contra a guerra, a fome e a opressão.

A todas as mulheres que ainda não são do MDM, mas que estão de acordo com os seus objectivos dizemos-lhes: a defesa dos direitos das mulheres precisa do vosso contributo dando mais força ao nosso Movimento.  Venham construir,  connosco, os próximos  50 anos do MDM.

Queremos, desde já, convidá-la a todas para que contribuam activamente para a preparação do 10º Congresso do MDM que se realizará em Setúbal no dia 27 de Outubro.

E como esta expressiva, justa e importante celebração não começou nem acaba aqui, a Direcção Nacional do MDM convida-vos desde já a vir celebrar o Dia Internacional da Mulher em 2019, na Manifestação Nacional de Mulheres que, de novo o MDM  realizará a 9 de Março de  em Lisboa.

Viva o Dia Internacional da Mulher

Viva as mulheres portuguesas

Viva o MDM – Movimento Democrático de Mulheres

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